Foto da capa por Jorge Simmons-Valenzuela no Unsplash
A Dodge está liderando uma revolta silenciosa no segmento de SUVs de tamanho grande. Não há grandes lançamentos, nem redesigns ousados, nem anúncios de eletrificação. É o bom e velho Dodge Durango de 14 anos que continua vendendo cada vez melhor a cada ano.
Em 2025, a Dodge vendeu mais de 81.000 Durangos, representando quase 80% do volume total de vendas da marca. Isso representa um aumento de 37% em relação a 2024. E no primeiro trimestre de 2026, os números continuaram subindo, com mais de 20.300 unidades vendidas em apenas três meses, um crescimento de 48% em comparação ao primeiro trimestre de 2025. Para um veículo que mantém a mesma base desde 2011, isso é mais que notável.
Durango Entrega Enquanto Todos Tentam se Reinventar
O contexto torna esses números ainda mais interessantes. O Chevrolet Tahoe recém-redesenhado caiu 10% no primeiro trimestre de 2026. O GMC Yukon caiu 12%. A Ford Expedition nem oferece mais um motor V8. Enquanto isso, a Dodge não só vende bem, como também trouxe de volta o motor 6.4L HEMI.
A versão R/T 392 com o motor 6.4L HEMI começa em US$ 51.990, e por esse valor, os compradores têm 475 cavalos de potência em um SUV familiar de três fileiras. O Durango básico, que custa US$ 39 mil, vem com o motor 3.6L Pentastar V6, que entrega 295 cavalos. É um motor simples e comprovado, que não precisa de atualização de software para funcionar bem, e mecânicos em todo o país podem trabalhar nele com facilidade. No extremo oposto, pouco mais de 80 mil dólares garantem um Durango Hellcat com mais de 700 cavalos de potência. A única desvantagem é o consumo de combustível, mas você pode transportar sua família em um SUV muscle.
Os Clientes Estão Cansados de “Atualizações”?
Parte do que impulsiona as vendas do Durango é algo que a indústria continua ignorando: muitas pessoas não querem o que a indústria automotiva insiste em oferecer.
Dentro do Durango, botões físicos ainda controlam funções básicas. Não há controles de clima dependentes de tela sensível ao toque, nem painéis com feedback háptico onde antes havia um botão. E não há sistema híbrido adicionando complexidade, peso e dependência da concessionária a uma compra que deveria ser simples.
Isso não é uma crítica à tecnologia moderna. É um reconhecimento de que muitos compradores fazem escolhas conscientes. Eles querem algo que entendam, algo que não exija a substituição de um módulo de US$ 3.000 cinco anos depois. O Durango oferece exatamente isso, e os números de vendas sugerem que eles valorizam isso.
A Filosofia do "Se Não Está Quebrado, Não Conserte" em Ação
A Dodge não está alheia ao futuro. Um Durango redesenhado é esperado para o ano-modelo 2029. Mas até lá, a marca claramente está confortável em deixar sua plataforma atual continuar fazendo o que sempre fez. E, no momento, está vendendo mais do que a concorrência mais nova e chamativa enquanto faz isso.
O Durango à moda antiga é um produto que entendeu seu público, e a Dodge não tentou consertar algo que não estava quebrado.